terça-feira, 13 de maio de 2014

DV SIDA eman

SIDA: Os preconceitos
O preconceito associado à doença SIDA é, na grande maioria das vezes, consequência de mitos, medos e ausência de conhecimento. Como resultado é criado um estigma em torno da doença que culmina na discriminação dos portadores e numa menor eficácia na prevenção e controlo da doença.
De facto, “A maior das barreiras para procurar tratamento envolve a vergonha, constrangimento e estigma social” – afirma um estudo publicado em 2011, na AIDS Patient Care and STDs (sample size 215). Na continuação do mesmo estudo é ainda concluído que o preconceito e a discriminação são dois dos fatores que mais contribuem para o atraso no início do tratamento e, consequentemente, para o aumento do risco de mortalidade comparativamente aos indivíduos cujo tratamento é iniciado logo após o diagnóstico.
Em relação às diferentes sociedades, são vários os casos de discriminação, marginalização e injustiça de que os portadores do vírus da SIDA são alvo. Na China, por exemplo, é normal pessoas perderem o seu emprego, serem despejados da sua casa ou até serem proibidas de ir a locais públicos se forem seropositivas. Nos EUA, por outro lado já foram reportadas histórias como a de Ryan Wayne White, uma criança que foi infectada com o vírus da SIDA e consequentemente foi proibida de frequentar a escola. Noutras sociedades menos desenvolvidas, a falta de conhecimento e as tradições levam a outros comportamentos e crenças. Muitas destas comunidades acreditam que as viúvas têm que ter relações sexuais desprotegidas para evitarem que o espírito do marido amaldiçoe a família; que ter sexo com uma mulher virgem pode curar uma pessoa com SIDA ou até que os portadores da doença devem ser exilados e isolados do resto da sociedade.
Contudo, na actualidade, deparamo-nos ainda com outro problema inerente à SIDA, a associação desta a determinados grupos de risco como: os haitianos (devido aos casamentos consanguíneos), os homossexuais, os bissexuais, os que vivem da prostituição e os toxicodependentes. Tal concepção, se por um lado aumenta o preconceito em torno da questão, leva também ao descuido por parte da restante comunidade que não se identifica com os grupos descritos anteriormente. Na verdade, actualmente a doença afeta maioritariamente os heterossexuais e outros grupos como os idosos, sendo que os que anteriormente eram considerados de risco (homossexuais e toxicodependentes) estão mais informados e preventivos em relação ao HIV.

Em suma, cerca de 30 anos depois do primeiro caso de SIDA reconhecido, esta doença continua a ser sinónimo de preconceito social. A associação frequente entre a SIDA e tanto os toxicodependentes como homossexuais deixou de ser pertinente, até porque a sua ligação a “grupos de risco” já não é adequada, sobretudo quando se tem em conta que atualmente a taxa de incidência de SIDA em heterossexuais é superior. Assim, com o objectivo primário de diminuir a transmissão e alastramento da doença, é fulcral que a falta de nível cultural e a perpetuação de mitos e crenças sejam combatidas e associadas à educação constante e pertinente das diferentes classes sociais e faixas etárias, tanto nas sociedades mais desenvolvidas como nas menos. Neste tema, a pró-actividade governamental é fundamental, pelo menos até que surja a tão esperada cura que continua a esperançar os profissionais da área.

Sem comentários:

Enviar um comentário