SIDA: Os preconceitos
O preconceito
associado à doença SIDA é, na grande maioria das vezes, consequência de mitos,
medos e ausência de conhecimento. Como resultado é criado um estigma em torno
da doença que culmina na discriminação dos portadores e numa menor eficácia na
prevenção e controlo da doença.
De facto, “A
maior das barreiras para procurar tratamento envolve a vergonha,
constrangimento e estigma social” – afirma um estudo publicado em 2011, na AIDS Patient Care and STDs (sample size
215). Na continuação do mesmo estudo é ainda concluído que o preconceito e
a discriminação são dois dos fatores que mais contribuem para o atraso no
início do tratamento e, consequentemente, para o aumento do risco de
mortalidade comparativamente aos indivíduos cujo tratamento é iniciado logo
após o diagnóstico.
Em relação às
diferentes sociedades, são vários os casos de discriminação, marginalização e
injustiça de que os portadores do vírus da SIDA são alvo. Na China, por
exemplo, é normal pessoas perderem o seu emprego, serem despejados da sua casa ou
até serem proibidas de ir a locais públicos se forem seropositivas. Nos EUA,
por outro lado já foram reportadas histórias como a de Ryan
Wayne White, uma criança que foi infectada com o vírus da SIDA e
consequentemente foi proibida de frequentar a escola. Noutras sociedades menos
desenvolvidas, a falta de conhecimento e as tradições levam a outros
comportamentos e crenças. Muitas destas comunidades acreditam que as viúvas têm
que ter relações sexuais desprotegidas para evitarem que o espírito do marido
amaldiçoe a família; que ter sexo com uma mulher virgem pode curar uma pessoa
com SIDA ou até que os portadores da doença devem ser exilados e isolados do
resto da sociedade.
Contudo, na actualidade,
deparamo-nos ainda com outro problema inerente à SIDA, a associação desta a
determinados grupos de risco como: os haitianos (devido aos casamentos
consanguíneos), os homossexuais, os bissexuais, os que vivem da prostituição e os
toxicodependentes. Tal concepção, se por um lado aumenta o preconceito em torno
da questão, leva também ao descuido por parte da restante comunidade que não se
identifica com os grupos descritos anteriormente. Na verdade, actualmente a
doença afeta maioritariamente os heterossexuais e outros grupos como os idosos,
sendo que os que anteriormente eram considerados de risco (homossexuais e
toxicodependentes) estão mais informados e preventivos em relação ao HIV.
Em suma, cerca
de 30 anos depois do primeiro caso de SIDA reconhecido, esta doença continua a
ser sinónimo de preconceito social. A associação frequente entre a SIDA e tanto
os toxicodependentes como homossexuais deixou de ser pertinente, até porque a
sua ligação a “grupos de risco” já não é adequada, sobretudo quando se tem em
conta que atualmente a taxa de incidência de SIDA em heterossexuais é superior.
Assim, com o objectivo primário de diminuir a transmissão e alastramento da
doença, é fulcral que a falta de nível cultural e a perpetuação de mitos e
crenças sejam combatidas e associadas à educação constante e pertinente das
diferentes classes sociais e faixas etárias, tanto nas sociedades mais
desenvolvidas como nas menos. Neste tema, a pró-actividade governamental é
fundamental, pelo menos até que surja a tão esperada cura que continua a
esperançar os profissionais da área.
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