Medicina e a Imortalidade Humana
1. O que morre quando uma pessoa morre?
Tudo na vida é uma questão de perspetiva, até mesmo o seu fim. Mas apenas
uma coisa é por demais certa, é que o fim da vida significa o fim da nossa forma física,
do nosso corpo.
Mas como somos feitos de corpo e mente (ou espírito) muito se pode divagar
sobre o que de facto acontece com o nosso espírito, com a nossa personalidade.
Há quem acredite que o fim do corpo é também o fim da mente pois a nossa
pessoa vive e existe apenas dentro do nosso cérebro, que agora cessa a sua
atividade.
A par destes, há quem acredite na existência extracorporea, e que a nossa
experiência enquanto seres humanos é apenas uma parte da nossa verdadeira
existência, crença essa profundamente enraizada na vertente religiosa do ser
humano.
O nosso medo da morte, da finitude, é tão poderoso que influencia e modela a
forma como agimos em sociedade. E é nascido desse medo, e da necessidade a ele
inerente de nos sentirmos vivos, que nascem as tentativas de imortalização quer do
corpo (em estátuas, gravuras e fotografias) quer da mente (de que são exemplos as
obras literárias e a História humana, que nos relembra dos feitos dos nossos
antepassados).
Tudo isto, fruto da nossa convicção de querermos ser recordados mesmo após a
nossa partida deste mundo, pois no final a verdade é que "apenas estamos vivos
enquanto alguém se lembrar de nós".
2. Aceitação da morte pessoal pelo profissional de medicina
A morte é então parte da sequência natural das coisas, é uma verdade
incontornável, à qual ninguém pode fugir e com a qual o profissional de saúde lida de
perto. É, contudo, um tema que suscita medos e incertezas e que tende a ser evitado
e esquecido, mesmo por estes.
A morte está presente no quotidiano de um profissional de saúde. No
hospital, muitas pessoas morrem todos os dias e outras encontram-se próximas da
morte. Além disso, o médico é o responsável pela oficialização de um óbito.
É essencial que o profissional de saúde não deixe a morte passar ao lado,
simplesmente, como uma realidade distante, mas sim que faça uma reflexão
profunda sobre a sua própria morte, um luto antecipado de modo e que se liberte de
receios e superstições e a aceite tranquilamente.
Para o conseguir, a morte não deve ser escondida e esquecida num canto do
hospital. Deve haver um acompanhamento e contacto com a pessoa que vai morrer
em breve ou que está a morrer naquele momento. É necessário acompanhar a morte de pacientes, que quando estão nesta situação precisam da presença do médico, que
querem colocar questões e falar; só deste modo esta poderá ser encarada como um
processo natural.
3. Qual é para um aluno de Medicina o melhor modo de imortalidade
simbólica?
Este tema da imortalidade gera em nós um enorme momento de reflexão. A
escolha de um modo de imortalidade simbólica vai depender de cada um, de cada
crença, de cada ser.
A imortalidade biológica estará presente em todos aqueles que irão
constituir família, dando assim continuação a si como família, nome e costumes.
A imortalidade criativa vai depender das acções de cada um, sendo
conferida pelos outros, depois da nossa morte. Desta forma, esperamos que os
nossos pacientes nos relembrem após a nossa morte, como nós relembramos
Fernando Pessoa ou Miguel Torga.
A imortalidade religiosa surge em muitos como uma fuga ao medo da morte,
acreditando numa nova vida no "Mundo que há-de vir". A crença numa religião é
algo que pertence apenas a cada individuo, sendo que cada um de nós poderá estar
ligado a este modo de imortalidade de maneiras muito distintas.
A imortalidade natural é seguida por aqueles que encaram a Terra como
uma mãe e que consideram o ser humano como parte natural do mundo. Pensamos
que cada um de nós acredita neste modo de imortalidade simbólica, o que nos leva a
respeitar o paciente, homem natural.
Em relação à imortalidade transcendental, podemos afirmar que ela faz
parte de nós como um dualismo entre o corpo e a alma. É importante para nós
compreender que cada paciente é formado por estes dois elementos.
Para concluir, a imortalidade informática faz parte de todos nós, dado que
todos frequentamos a internet, as redes sociais, os blogues. Quando morrermos, as
nossas páginas na internet perpetuarão como parte de nós e das nossas vidas.
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