terça-feira, 13 de maio de 2014

DV VARIOLA

“Varíola: do passado ao futuro”
 A doença infecciosa varíola é causada pelo agente small pox, um
Orthopoxvirus que infeta o ser humano. Inicialmente, surgem sintomas pouco
específicos e semelhantes aos da gripe (mal-estar, febre, astenia), progredindo
para problemas gástricos, como vómitos e dores. Mais tarde, através da
corrente sanguínea, o vírus dissemina-se para a pele, surgindo vesículas
tópicas, com início na boca, seguindo para os membros e restante corpo. É
importante referir que existem dois tipos de varíola: a maior e a menor. Embora
tenham sintomas parecidos, a primeira é clinicamente mais severa.
 Pensa-se que a doença terá surgido no Médio Oriente, cerca de 10 000
anos a.C., tendo sido identificada em múmias. Desde então foi responsável por
diversos surtos epidémicos, como é exemplo a misteriosa epidemia catastrófica
ocorrida em Atenas, que terá matado um terço da população, no ano de 430
a.C.
Durante a colonização da América, os colonizadores espanhóis – que
terão adquirido a doença através das rotas comerciais com a Ásia, mais
especificamente com a Índia – levaram a doença para esse continente,
destruindo as populações nativas. A varíola matou cerca de 300 milhões de
Aztecas e 100 000 Incas.
A primeira forma que surgiu para controlar a varíola era a inoculação de
conteúdo purulento das vesículas de varíola numa ferida do paciente, processo
este também designado de variolização. Embora algumas pessoas adquirissem
imunidade, muitas desenvolviam a doença através da suposta cura, uma vez
que se colocava o agente da varíola. Esta técnica foi muito praticada durante o
século XVI.
Em 1776, Edward Jenner inoculou pessoas com material de uma
vesícula de cowpox, um vírus da mesma família da varíola. Foi este médico
que deu o nome de vacina (do latim vacca) a este material, dado que era
retirado de vesículas de bovinos – surge então a primeira vacina. Este
processo foi muito mais seguro do que a variolização e permitiu vacinar muitas
pessoas no mundo. Atualmente, usa-se como vacina a vaccinia vírus, da
mesma família da varíola mas geneticamente distinta.
Em 1980, a OMS declarou oficialmente a erradicação da varíola. Esta
erradicação foi possível em virtude de uma intensa campanha de vacinação
mundial e ao facto de o ser humano ser o único hospedeiro deste vírus. Nos
dias de hoje, uma vez que a varíola se encontra erradicada, a vacina já não se
encontra no Plano Anual de Vacinações. 2

Nos últimos anos tem surgido a hipótese de uso do vírus da varíola
como arma biológica para derrotar exércitos. Desta forma, os EUA e outros
países têm vacinado os seus militares que são destacados para missões
noutros locais. Também Portugal adquiriu vacinas contra a varíola no final de
2003, após ameaça bioterrorista na altura do Euro 2004, em Portugal.
Para concluir, embora a varíola tenha causado a morte de milhões de
pessoas, foi possível controlá-la e erradicá-la através da vacinação. Contudo,
nos últimos tempos a varíola tem ganho novo destaque graças a ameaças
bioterroristas. É importante conhecer e analisar a doença e o agente, de forma
a criar vacinas cada vez mais eficazes, que previnam uma possível catástrofe
terrorista.

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